Tanatologia

Estudo Da Morte

Tanatologia vem da junção de duas palavras do Grego: tanatos que significa morte e logos que significa assunto, tratado, portanto tanatologia é o tratado a respeito da morte, ou estudo sobre a morte e principalmente seus efeitos sobre a mente humana.

Enquanto aguardamos a segunda vinda de Cristo, alguns não podem deixar de ter um certo receio, de que um dia terão que enfrentar a morte, embora isto não deva ser uma preocupação para aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm.14:7-9). Evidentemente tal fato ocorrerá se Cristo não voltar antes de nossa morte, pois essa é a certeza absoluta que o homem tem, que um dia vai deixar seu corpo físico, sendo esse o último inimigo a ser vencido (I Cor.15:2).

A Palavra de Deus faz referência a três tipos diferentes de morte: A morte espiritual, a morte física e a morte eterna ou 2ª morte. A morte, qualquer que seja o tipo, significa separação.

1. Morte Espiritual

A morte espiritual já aconteceu a todas as pessoas, pois todos são descendentes de Adão e nele morremos espiritualmente por sua desobediência a Deus (I Co.15:22). Deus advertiu a Adão para que não comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois no dia que fizesse tal coisa, certamente ele morreria (Gn.2:17), Adão comeu do fruto e não teve morte física instantânea, pelo contrário viveu 930 anos, a morte que ele teve foi quase imperceptível, ele morreu espiritualmente, ele se separou do seu Criador, ao desobedece-lo. Não que o espírito humano esteja morto realmente, mas está separado de Deus e das coisas espirituais, portanto morto para Deus.

A definição de morte espiritual é a separação do ser humano, do seu Criador, do Deus Altíssimo, embora a pessoa tenha espírito, pois tem vida, no entanto encontra-se na rebeldia do pecado e, portanto separada de Deus, ou seja, morta para Deus. Seu espírito não consta no registro de Deus, no livro da vida (Mt.8:22).

Essa morte espiritual é aquela que todas as pessoas sem Cristo têm e não sabem, apesar de aparentemente nada sentirem, pois já nascem nessa condição, por serem descendentes de Adão, daí a enorme dificuldade de leva-los à compreensão de que necessitam muito de uma nova vida. E essa nova vida só Jesus Cristo pode dar (At.4:12), um retorno à comunhão com Deus é o que Deus mais espera de nós (Lc.15:11-32). Por isso Jesus falou: “necessário vos é nascer de novo” (Jo.3:3-8), veja que Ele diz que aquele que é nascido do Espírito é espírito.

“Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo.3:5,6).

A morte espiritual, necessariamente, não é uma morte definitiva, pois as pessoas podem e deveriam buscar em Cristo uma “ressurreição espiritual”, ou seja, seu espírito pode voltar a ter vida diante de Deus, pois seus verdadeiros adoradores são aqueles que O adoram em espírito e em verdade (Jo.4:23,24), mas essa condição de novo nascimento só é possível enquanto a pessoa esta com vida física, aqui em nosso mundo, pois Deus dá opção ao homem de decidir-se por Ele ou continuar em rebeldia e morto. Se a pessoa continuar nesse estado de morte espiritual até o fim de sua vida física, então ela não terá outra oportunidade, passará para o estado intermediário e depois para o estado de morte eterna.

A morte física não é a primeira morte que o homem experimenta, como já mencionei, pois está escrito em (Ef.2:1,5) que a pessoa que vive sem Cristo ainda está morta para Deus (Jo.3:36), portanto a primeira morte é a morte espiritual, mesmo para aqueles que ainda estão vivos, porém sem Cristo (Mt.8:22), Jesus nesse texto estava dizendo deixe os mortos espirituais enterrarem seus mortos físicos.

2. Morte Física

( II Cor.5:1,8; Fp.1: 21-24)

Definição:

É o castigo universal do pecado (Rm.6:23; Hb.9:27), é a separação do espírito junto com a alma humana, do seu elemento material, o corpo.(Mt.27:50; At.7:59; Tg.2:26: Lc.8:54,55)

A morte física ocorre quando o corpo, que é, evidentemente, a parte material, se separa da sua parte invisível (aos olhos humanos) que é a alma e o espírito. Esse tipo de morte teve seu início a partir da desobediência de Adão e Eva (Gn.3:19). O corpo vai para o Queber, que no Hebraico significa: sepultura, túmulo, sepulcro, tumba ou cova.

A morte física não interrompe, nem por um momento, a continuidade da vida do ser, pois sua alma e seu espírito continuam plenamente vivos e conscientes (Lc.16:23,24; Jo.5:25,28). Ninguém há que possa adiar o dia de sua morte, sem a permissão ou ordem de Deus (Ec.8:8).

Jesus não demonstrou muito interesse por mortos ou por enterros, pois Ele é o Senhor da Vida (At.3:15):

- cancelou um enterro (Lc.7:11-17)

- impediu a realização de outro (Lc.8:40-42,49-55)

- anulou o resultado de mais um (Jo.11:32-44)

- não obstante a isso, Jesus chorou pela morte de Lázaro (Jo.11:35), sentindo a dor provocada por tal acontecimento, e de certa forma nos confortando quando tal fato ocorre com algum ente querido.

Médicos já se pronunciaram sobre a questão da morte ser dolorosa ou não. É unanimidade entre eles que ela não é dolorosa, antes um fim à dor e ao sofrimento. A dor pode preceder a morte, dependendo do modo como a pessoa morre, como, por exemplo, com câncer, ou um atropelamento onde a vítima não falece na hora, que é doloroso, e sem dúvida é diferente de morrer dormindo ou de súbito. Paulo diz que o viver é Cristo e o morrer é Lucro (Fp.1:21),para os filhos de Deus com certeza isso é uma realidade, desde que a morte seja natural e não por suicídio.

O medo da morte reside na preocupação que as pessoas têm quanto à solidão e ao imenso vazio de um futuro totalmente desconhecido (Sl.49:6-20; Jó19:25-27). Pior ainda para aqueles que querem crer que depois da morte física não há mais vida. Jesus diz que há muita vida depois da morte (Lc.24:39; II Tm.1:10). Para aqueles que conhecem o Grande Vencedor da Morte, Jesus, esse medo não faz o menor sentido, pois sabemos que a morte é passageira e em breve haverá uma tremenda ressurreição dos salvos em Cristo que é a primeira ressurreição (I Ts.4:13-16) e por fim, depois de mil anos, também ressuscitarão os ímpios para o juízo (Ap.20:11-15; Mt.10:28). Não há o que temer, pois Deus é o nosso grande defensor (Sl.119:154; Jr.50:34; Sl.49:16). O pregador diz que é melhor o dia da morte do que o dia do nascimento de alguém. (Ec.7:1).

O seguinte pensamento está gravado em um Observatório Astronômico, dos Estados Unidos: ”Amamos demais as estrelas para termos medo da noite”. Nós, que cremos no Senhor Jesus, temos nossa Estrela da Manhã e a amamos demais para termos medo das trevas e da morte. Jesus Ressuscitou! Venceu a Morte! Aleluia!

Porém, o mesmo não acontece com aqueles que ignoram a maravilhosa saída proposta por Deus (I Tm.1:15). Uma ilustração de púlpito relata um episódio, que demonstra bem o desespero de um homem frente à morte, num hospital, ele gritava: “O anjo da morte esta vindo para me levar. Tirem-me desta cama para que ele não me encontre”. Apontando para a janela, ele dizia: “Lá esta ele, lá está ele!”. Naquele mesmo momento um bando de corvos que estava próximo, voou em grande alvoroço. A enfermeira ficou aterrorizada e saiu correndo para fora. Alguns minutos depois o paciente morreu.

A experiência acima mostra a grande responsabilidade que temos para com aqueles que estão sofrendo num leito de hospital a beira da morte. Temos o dever de manifestar nosso apoio, nossa compreensão, nossa solidariedade. A presença de um amigo, de um irmão, é muito valiosa, com palavras de fé, de conforto, de animo, nessa hora tão difícil e que um dia poderemos também passar, pois a extensão de nossa vida é tão passageira como uma sombra, ou como uma nuvem (Sl.39:6).

A questão da morte deve ocupar nossos pensamentos como meditação (Ec.7:1,2), e não como terror ou algo trágico em nossa existência, antes como um início de adoração face a face ao nosso Deus.

“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos”(Sl.116:15)

A primeira coisa que Abraão adquiriu ao entrar na terra de Canaã foi um sepulcro (Gn.23:1-20; 25:9; 50:13) tal era sua preocupação com o fato. Seria essa uma atitude de incredulidade? Mas nós sabemos que ele foi o pai da fé.

Os mortos têm o direito de serem enterrados em uma sepultura (Sl.79:1-3; I Re.14:11; 16:04; 21:19-27; II Re.9:10,30-37), pois caso contrário as aves e os cães os comerão. Creio que isto nos conduz à posição de afirmar que o morto deve ser enterrado. Veja que até os ossos de Eliseu tinham poder (II Re.13:20,21). Não deveriam esses ossos estar enterrados? 

A história da morte está dividida em dois períodos um antes de Jesus Cristo e outro depois Dele, pois antes Dele a morte reinava soberana, mas Jesus veio para desqualifica-la, vence-la (I Co.15:55), fazer dela algo que realmente tenha valor de salvação e não de perdição, pois por sua morte nós fomos vivificados (Ef. 2:4-6; Cl.2:13-15). Jesus tem a chave da morte em suas mãos (Ap. 1:18) e se tivermos fé Ele a empresta a nós, se é que já não é nossa, pois Ele mesmo disse: “Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;”(Jo.11:25). Veja ainda: (I Co.3:22; Mt.10:8; At.9:36-43; 20:7-12; Lc16:18).

A morte é a punição para o pecado (Rm.6:23), logo se conclui que somente o pecador deve morrer e não um justo que nunca pecou, então como Jesus poderia morrer se Ele mesmo nunca pecou? (Hb.4:15). Nem mesmo descendente de Adão Ele foi, pois foi gerado pelo Espírito de Deus (Lc.1:35), significando isto que Ele não possuía a raiz adâmica do pecado original. Como então poderia morrer? Só há uma resposta a esta questão: Ele assumiu nossos pecados na Cruz do Calvário, morrendo em nosso lugar. Aleluia! Como então a morte foi derrotada se nesse episódio parece ter sido “vitoriosa”? Acontece que o Deus Criador dos Céus e da Terra não poderia deixar seu Único Filho, que foi obediente até a morte e morte de cruz, nas entranhas do inferno, o Deus Altíssimo o trouxe de volta à vida (Rm.10:9) e Ele Ressuscitou, e como Deus é Justo, logo todos os pecadores que crerem em Jesus, seu sacrifício, sua morte e ressurreição, ganham o mesmo direito à ressurreição, por isso somos hoje, Filhos de Deus, graças a Jesus, e não criaturas de Deus apenas. Como Filhos de Deus ganhamos o mesmo direito que o nosso Senhor. Pois, se Aquele que se fez pecado por nós, Deus O Ressuscitou (At. 17:31; 2:22-24; 3:15), temos então, a convicção de que alcançamos Nele a nossa ressurreição. Por isso o diabo luta tanto contra a doutrina da ressurreição, tentando a todo custo implementar a doutrina da reencarnação (II João:9-11), são estes na verdade os anticristos que a Bíblia tanto nos adverte (I Jo.4:1-3; Jd:4; I Pe.2:1).

A morte é algo que acontece constantemente em nosso mundo, aqui tudo parece caminhar para um fim: os animais, as plantas e as pessoas. É interessante pensar que para sobreviver o homem precisa matar os animais e até mesmo o vegetal, além disso, o homem assola seu meio ambiente e a seus próprios irmãos. Parece soar meio estranho, mas tudo isso é o resultado da desobediência a Deus e por esses fatos a natureza geme (Rm.8:22).

Observe que no começo da criação o alimento que Deus concedeu ao homem e também aos animais não era de origem animal, mas vegetal (Gn.1:29,30; 2:9,16). Estranhamente o primeiro pecado do homem começou com os ouvidos, passou para os olhos, atingiu o coração e se concretizou na boca. O pecado da gula não começa na boca ou no estomago, mas sim nos olhos e dali ao coração (alma).

A morte física é também chamada de adormecimento, ou seja, o corpo da pessoa falecida dorme (Dn.12:2; At.7:60; Jo.11:11,14; ICo.15:6; ITs.4:13-17), por isso a teoria do sono da alma é errada, não é a alma que dorme, veja que em (Lc.16:19-24) aquele homem rico estava consciente e sentia os horrores do lugar. Em nenhuma passagem bíblica é mencionada que a alma ou o espírito humano dorme. Medite a respeito, (Ap.7:9,10; Ap.6:9-11; Hb.12:22,23; IICo.5:6-10; Dn.12:2).

3. Morte Eterna Ou Segunda Morte

A morte significa separação. A morte eterna não é diferente, pois ela também é uma separação, só que uma separação definitiva do homem de seu Criador. Portanto, Morte Eterna é a separação definitiva, Eterna, do indivíduo do único Deus.

“E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?” (Jo.11:26)

Esse tipo de morte, por enquanto ninguém experimentou definitivamente, pois ocorrerá com o julgamento do Grande Trono Branco (Ap.20:11-13;Jo.12:48;Hb.2:3;10:12), onde o Senhor Jesus julgará pessoalmente cada indivíduo que rejeitou seu sacrifício, pois Deus Pai o designou para todo julgamento (At.17:31; Jo.5:22,27). A morte eterna é um prolongamento eterno da morte espiritual já mencionada, não é uma aniquilação, destruição ou cessação da existência, pois como então experimentariam o horror e sofrimento eterno? (Dn.12:2). Para o indivíduo não passar por essa terrível experiência da segunda morte, ele deve ter seu espírito regenerado pelo novo nascimento no sangue de Jesus, e isso deve ser feito antes da morte física, após essa morte isso já não será possível.

A segunda morte, somente acontecerá após a segunda ressurreição e depois de passados mil anos do reinado de Cristo (Ap.2:11;20:5,6). Depois de serem julgados por suas obras, serão condenados e lançados, juntamente com o diabo e seus anjos no lago de fogo e enxofre, que é a Segunda Morte (Ap.20:14,15; At.24:15). Esse lago de fogo é mencionado como fogo eterno (Mt.25:41;18:18), e inextinguível (Mc.9:43,44,46,48). Infelizmente a futura morada dos ímpios será para sempre no inferno (gehena), real e literal, onde o verme não morre, nem o fogo se apaga (Mc.9:44). Os ímpios terão o julgamento, onde os livros serão abertos e as sentenças justas serão aplicadas, porém essas sentenças não serão as mesmas para todos. Haverá vários níveis de punição, assim como para os salvos também haverá vários níveis de recompensa (I Co.3:11-15; Mt.25:46; Lc.12:46-49), pois suas obras os acompanharão (I Pe.1:17; Ap.14:13; 20:12,13; Sl.28:4), onde a consciência (ou subconsciente) de cada pessoa dará o testemunho diante de Deus no juízo final.

 “E vi os mortos grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro que é o da vida: e os mortos foram julgados pelas coisas que 

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